"Quero fazer da minha existencia lesbica feminista a produção crítica de mim mesma e do mundo!"

(frase criada por várias lésbicas feminista do Brasil- Marylucia Mesquita, Luanna Marley, Kaká Kolinsk...)

terça-feira, 23 de março de 2010

E aí.. Você acha que tem o direito de falar o que pensa?

Esse vídeo a gente recomenda!

Pra pensar e se revoltar com o nosso (não)direito a voz..

Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

Vídeo sobre direito à comunicação produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung retrata a concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.Roteiro, direção e edição: Pedro EkmanProdução executiva e produção de elenco: Daniele RicieriDireção de Fotografia e- câmera: Thomas MiguezDireção de Arte: Anna Luiza MarquesProdução de Locação: Diogo MoysesProdução de Arte: Bia BarbosaPesquisa de imagens: Miriam DuenhasPesquisa de vídeos: Natália RodriguesAnimações: Pedro EkmanVoz: José Rubens ChacháCC - Alguns direitos reservadosVocê pode copiar, distribuir, exibir e executar a obra livremente com finalidades não comerciais.Você pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.Você deve dar crédito ao autor original.*** Se o vídeo não aparecer, instale o flashplayer gratuito clicando aqui . ***

quarta-feira, 17 de março de 2010

Casa Inaugurada!


A Festa foi ótima! quem estava por lá sabe do que estamos falando! Era pra acabar no máximo, as 23h, mas a gente estava tão feliz que ficamos até quase 4hrs da madruga curtindo e dançando.

Fizemos uma nova rima pro funk da solução..

"Se a casa, se a casa é feminista/Se a casa, se a casa é feminista/a gente pode ser artista/a gente pode ser artista"

Compramos 100 cervejas pra festa, mas antes de acabar as falas de abertura já tinha acabado totalmente as cervejas!

E todas ficamos felizes pela inauguração do nosso espaço!

Quando nossa companheira, Alessandra, foi fazer a fala pelo LAMCE, ficou tão nervosa e não disse um monte de coisa que eu queria ter dito.

Mas principalmente que fique registrado aqui no blog:

OBRIGADA, MUITO OBRIGADA AO FUNDO SOCIAL ELAS que acreditou no LAMCE e nos dispôs de recursos para realização desse sonho. e também muito obrigada a todas que construiram esse sonho ao longo da história, nesses quase 6 anos de LAMCE.

Então sem mais,

segue algumas das fotos que conseguimos da nossa inauguração. Essas são de Vera Silva, que publica em vários sites, inclusive o http://mundomix.ning.com :



































terça-feira, 9 de março de 2010

08 de março de 2010 - DIREITOS HUMANOS; DIREITOS DE HUMANAS!

A Associação Internacional de Lésbicas, Pessoas Trans, Gays, Bissexuais e Intersexos, ILGA-LAC, comemora 100 anos de 08 de março, Dia Internacional da Mulher, com a convicção de que a transformação cultural depende da nossa luta e de todas as lutas.

Mulheres somos todas; trabalhadoras também! Por isso nós, lésbicas e bissexuais, lutamos pelos direitos das mulheres e pela construção dos nossos próprios direitos, esvaziados das correntes impostas pela hegemonia da masculinidade. O que não se vê não existe e o que não existe não têm direitos! É assim que hoje, 08 de março, novamente alçamos nossa voz e exigimos o direito a termos direitos, pois:

Direta e indiretamente, nossas praticas sexuais são penalizadas em, pelo menos, 17 países da América Latina e o do Caribe;
Negam-nos o direito de formar uma família e arrebatam noss*s filh*s, mesmo que el*s desejem permanecer junto de nós;
Ocultamos nossa identidade pela violência gerada em nós todas, favorecendo que não existamos na maioria dos relatórios que denunciam a violência às mulheres;
Nossos crimes são reduzidos à categoria de “crimes passionais”, o que oculta e preserva as condutas de ódio lesbofóbico que nos afetam;
Violam-nos para corrigir nossa orientação sexual, o que é justificado por discursos, entre outros, que nos constroem como anormais e doentes;
Segregam-nos, maltratam-nos, impedem-nos de ascender e despedem-nos dos nossos trabalhos;
Não somos inclusas na maioria das agendas sobre saúde sexual. Isso explica nossa dupla incidência ao câncer de mama e ao herpes vaginal, entre outras dificuldades que afetam nossa saúde física e mental;
Somos expulsas das escolas. E estando vinculada ao sistema educativo, somos permanentemente objeto de bullying lesbofóbico.

O indicado acima afeta também a pessoas trans femininas que, em um 70%, na maioria dos países da América Latina e o Caribe, não conclui o ensino médio. Isso as empurram ao comércio sexual e potencializa sua vulnerabilidade ao HIV. As pessoas trans são assassinadas e os culpados não são julgados!

Excluir as lésbicas, as mulheres bissexuais e pessoas trans femininas dos ainda escassos avanços que se registram no marco da violência que afeta as mulheres, vulnera a legislação internacional sobre direitos humanos, outorgando-nas a posições de inferioridade social inaceitáveis. Por isso, aos Estados e governos que os representam, exigimos:

- Cumprir com as exigências históricas do movimento feminista e de mulheres;
Aplicar os Princípios de Yogyakarta que orienta a concretização dos direitos humanos nas questões de orientação sexual e identidade de gênero;
- Concretizar o ideário democrático por meio da participação ativa dos grupos de mulheres, lésbicas, bissexuais e trans no desenho de leis e políticas públicas;
- Igualar as oportunidades entre homens e mulheres, e também entre esses e lésbicas, bissexuais, trans, gays, intersex*s;
- Desenhar políticas públicas que resguardam e concretizam os direitos econômicos, sociais e culturais para lésbicas, bissexuais e trans, enfatizando a solução das problemáticas que afetam significativamente seu desenvolvimento integral;
- Aprovar leis anti-discriminatórias enunciando com claridade as exigências políticas do movimento de mulheres e lésbicas feministas, bissexuais e trans.


Com força e valentia, lésbicas, bissexuais e trans, enfrentamos especialmente às ditaduras morais que pretendem governar nossos corpos e aos governos conservadores que impedem o desenvolvimento e implementação de um enfoque de direitos humanos que se aprofunde no avanço dos direitos sexuais e reprodutivos. Aí, no meio do terrorismo neoliberal, exacerbado por um modelo pós-capitalista, ILGA-LAC alça sua voz junto às mulheres do mundo para recordar que os direitos humanos…

¡SÃO DE TODAS AS HUMANAS!

Associação Internacional de Lésbicas, Pessoas Trans, Gays, Bissexuais, Intersex de América Latina e o Caribe

ILGA-LAC

08 de março de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

Participe dessa festa! uma conquista para as mulheres lésbicas e bissexuais do Ceará!




É isso! nossa casa/sede vai ser inaugurada!


Temos trabalhado bastante para a inauguração da nosso espaço - Casa Feminista Nazaré Flor. A gente espera que este seja um lugar onde possamos, acima de tudo, ser quem nós somos sem medo de viver nossas identidades. A gente quer e discutir e refletir sobre o que nos oprime e o que queremos de mudanças em nós mesmas e no mundo em que vivemos. Estaremos inaugurando ainda no mês de março um grupo de estudos lésbico-feminista, e estamos montando a Biblioteca da Casa, que ainda não tem muitos livros, mas que já possui livros muito massa sobre feminismo, lesbianidade, diversidade sexual, juventude, negritude, justiça socio-ambiental e ainda algumas literaturas lésbicas.

E SÉXTA É NOSSA FESTA!

Vai ser um momento muito importante pra nós, mas além disso vai ser muito legal! Vai ter show da Luanna Marley e um pequeno coquetail free e a cerveja vai ser vendida bem baratinha :)

Então, se vcs puderema aparecer por lá....


AV. Imperador 1443 Centro (Em frente ao colégio e Igreja de São Rafael, perto da Domingos Olimpio) as 18h


Ah... Caso vocês tenha sugestões para o grupo de estudos, ou qualquer outra coisa, mandem para (lamcegrupo@hotmail.com).
Ah.... e para saber + sobre Nazaré Flor, estaremos postando logo em seguida sobre sua história de luta!

quinta-feira, 4 de março de 2010

E pra quem quer + festa no 8 de Março....Zélia Dunkan e Mona Gadelha na Praça do Ferreira

Batalha 8 de Março - pra quem curte hip-hop

Inauguração adiada para o dia 12

Pessoas, desculpem o informe errado.
A gente ainda tinha muitas pendencias, e a festa vai ser só dia 12
mas vai ser mto mto massa!!!
Apareçam!
ah e pra quem não vier na festa, e preferir ficar morgado em frente a televisão, vai estar rolando na TV Diário um debate no programa Ação e Reação, com o Ênio Carlos sobre União entre pessoas do mesmo sexo e nós fomos lá dar uns gritos também....

Não deixem de nos acompahar!
bjs

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Casa do LAMCE!!!! Inauguração 5 de março

Nossa casa vai ser inaugurada! e você está + que convidada!
Essa idéia, de ter uma sede, nasceu do LAMCE e conquistou o Fórum Cearense de Mulheres e o Inegra - Instituto Negra do Ceará, e agora nossa sede se chama:
CASA FEMINISTA Nazaré Flor,
em homenagem a esta feminista de luta que marcou a história do movimento de mulheres do nosso estado.
Já marque em sua agenda: Dia 5 de março, sexta-feira as 18hrs.
o endereço é Avenida do Imperador, 1443 Centro de Fortaleza.
Dentro da programação cultural está show de Luanna Marley e Gigi Castro.
Vai rolar um "comes" e a cerveja vai ser vendida a um preço bem baixinho!
APAREÇAM!!!!

Lançamento do Círculo de doadoras Mulheres Investindo em Mulheres

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Beijo entre duas garotas incomodou um homofóbico durante o desfile de um bloco de carnaval




Por Léo Mendes

Na tarde do último sábado (20/02), no bairro do Leblon, o beijo entre duas garotas incomodou um homofóbico durante o desfile de um bloco de carnaval.

Um senhor de 50 anos fez a denúncia afirmando que se tratava de pedofilia. As duas jovens tinham 17 e 19 anos.

"Ele disse que viu duas moças se beijando e pensou que uma era menor de idade. Ele achou que nesse caso seria errado uma menor de idade beijando outra maior de idade. Mas, pelas testemunhas, se verificou que não houve nenhuma corrupção de menores", disse o delegado Gustavo Valentini.

Na opinião do presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, Bruno Toledo, a conduta foi preconceituosa e direta contra as jovens que se beijavam.

"Nós precisamos questionar porque não gostaríamos que todas as pessoas que estavam se beijando fossem presas. Por que o senhor só denunciou o beijo delas e não o de todas as outras pessoas? Respondendo a isso nós vamos ver claramente que o que está por trás disso é um alto índice de preconceito contra as Lésbicas".

Bruno Toledo ressaltou a diferença de tratamentos entre casais de sexo oposto e Homossexuais. "Não há estranhamento quando um casal heterossexual se beija. As pessoas até batem palmas para isso, acham bacana. Agora, quando é em orientação sexual que não é regra, causa o estranhamento. Mas foi um simples beijo", explicou.

A garota de 19 anos, que preferiu não se identificar, acredita que foi vítima de preconceito. "O meu beijo não tinha nada de agressivo, é um beijo como qualquer outro beijo de carnaval, uma coisa que acontece. Não precisava ter causado a confusão que causou", defendeu-se.
A inocência do beijo das meninas no Rio de Janeiro também foi defendida pelo professor de direito constitucional Daury César Fabriz. Ele afirmou que o beijo em público não é crime e que as relações afetivas estão amparadas pelo Direito Constitucional.

"Além de não ser um crime, o beijo é defendido pelo Direito. Lá diz que todos são iguais perante a lei e podem fazer as suas escolhas livremente. Se fossem uma moça de 17 anos e um rapaz de 19, nada disso teria acontecido", sugere.

O professor de direito constitucional informou ainda que mesmo que não se tratasse de uma conduta preconceituosa do denunciante à polícia, a alegação de possível pedofilia também não cabe no episódio envolvendo as duas jovens.

"Uma pessoa de 17 anos não é nem criança e nem adolescente mais. Ela já tem, inclusive, o direito de fazer até mesmo escolhas políticas para o país. É claro que ainda não tem a liberdade em plenitude, mas um beijo que foi consentido entre uma jovem de 19 anos e uma de 17, não tem necessidade de autorização de pai ou responsável e nem se configura como um crime constitucionalmente . Não foi uma relação sexual, mas sim um beijo consentido", explicou.
Com a denúncia feita na 14ª DP (Leblon), as meninas foram liberadas com a garantia do delegado de que beijar não é crime. "Se não houve corrupção de menores, ou violência ou grave ameaça, não é crime", afirmou.
O homofóbico ficou com a maior cara de tacho, mas infelizmente não foi preso por homofobia.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Lésbicas no Brasil

Assista a trechos do documentário Lésbicas no Brasil, dirigido pela nossa querida companheira de luta Maria Angélica Lemos

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Artigo do LAMCE! O que o movimento lésbico tem a contribuir com o feminismo e o que o feminismo tem a contribuir com o movimento lésbico?


olá pessoas queridas que acompanham o nosso blog. ele está desatualizado. eu sei. estamos correndo e planejando muitas coisas para 2010, inclusive um grupo de estudos lésbico feminista vai rolar com todo gás.
Pras discussões irem esquentando e aproveitando que a Luanna postou um incentivo pra gente se "teorizar" um pouco mais, posto aqui em baixo um artigo meu sobre feminismo e lesbianidade.
Esse artigo foi escrito para embasar a discussão do Fórum Cearense de Mulheres sobre lesbianidade e também nos prepararmos para uma discussão maior sobre heterossexualidade obrigatória e lesbianidade feminista que será feita na AMB. Espero que aproveitem bastante e discutam, critiquem, opnem e falem. esse espaço é nosso.

O que o movimento lésbico tem a contribuir com o feminismo e o que o feminismo tem a contribuir com o movimento lésbico?
Alessandra Guerra

Coordenadora colegiada do LAMCE e do Fórum Cearense de Mulheres


Neste texto, quando falamos de feminismo, pelo menos o feminismo que propõe o Fórum Cearense de Mulheres e o LAMCE, falamos de um feminismo que almeja uma radical transformação social, um feminismo que projeta um mundo em que se viva livre de correntes, estigmas ou padrões. Esse feminismo reconhece também, que as opressões que hoje vivemos são acarretadas por alguns fatores que estruturam a nossa vida em sociedade, como o capitalismo, o racismo e o patriarcado. Ele estuda o funcionamento dessas estruturas para então combatê-las pela raiz.
Quando nos referimos á lesbianidade, não estamos nos referindo apenas a uma mulher que escolhe outra mulher para satisfazer seus desejos sexuais. Estamos falando de uma ação ou reação política feminista. Dizemos que o ato lesbiano é feminista, pois ele subverte a lógica patriarcal da dominação masculina sob a mulher, legitimada pela prática generalizada da heterossexualidade.
O feminismo lesbiano, que nós do grupo LAMCE estudamos enxerga a heterossexualidade para além da sexualidade, ele entende a heterossexualidade como uma prática generalizada que estrutura o sistema político vigente na nossa sociedade e que é responsável pela maior parte das opressões que as mulheres são submetidas. Entendemos que há um imenso investimento social para que a heterossexualidade seja considerada a única possibilidade de duas pessoas, ou melhor, das mulheres serem felizes e realizadas. A indução da heterossexualidade faz com que a mulher esteja sempre a serviço e dependência do homem, observamos que hoje e no decorrer da história as mulheres sempre “pertencem” aos homens. São apenas suas esposas, amantes ou mães.
Pela legitimidade do casamento heterossexual, homens cometem violências psicológicas, físicas e sexuais contra “suas” mulheres. Mesmo com uma grande pressão do movimento feminista e conquistas como a Lei Maria da Penha, a cada dia aumenta assustadoramente o número de feminicídios, (no nosso estado só em 2009 foram registrados mais de 130 casos de mulheres que foram mortas por seus “companheiros”, não foi à toa que fizemos uma vigília).
O Papel que cabe a mulher, nesse sistema heterossexual ainda justifica a exploração dela no mercado de trabalho, obriga-a a dupla jornada de trabalho e ainda a induz a responsabilidade da educação dos filhos e o cuidado com os enfermos, como se cuidado e delicadeza fossem características inerentes ao seu sexo feminino. Nós, algumas vezes em nossas discussões, chegamos a comparar o casamento com a prostituição, pois sabemos que os dois procedem da mesma base: a subordinação da mulher ao homem.
Não estamos dizendo que a pratica da lesbianidade ou a prática não heterossexual seja a solução para o problema da opressão da mulher, mas que quando a mulher exerce a não heterossexualidade (vive sem a dependência social, econômica, emocional e sexual do homem) ela mesmo sem saber, com seu ato lesbiano, deixa claro que é possível e legitimo a subversão da norma da heterossexualidade e mostra outras formas possíveis de relacionamentos não baseados na opressão falocentrica.
O feminismo lesbiano reconhece também que a normatização heterossexual acarreta a invisibilidade e opressão de outras formas de desejar e se relacionar. Mas cabe deixar claro que a opressão não é simplesmente do desejo, estamos dizendo aqui de meninas que são expulsas de casa e se vêem obrigadas a viverem da rua, de outras que são estupradas pelo pai ou pelo tio que tentam forçá-las a viver a heterossexualidade, de mulheres que são humilhadas e perdem o emprego por razão da orientação sexual, do crescente número de suicídios entre mulheres lésbicas ou a total ausência de pesquisas para um método de prevenção para DST´s entre mulheres.
Essas discussões, nosso feminismo não pode deixar para as lésbicas, nosso feminismo tem que incorporar a luta de todas as mulheres, principalmente as lutas que vão contra os sistemas de opressão da nossa sociedade.
Existe hoje um movimento de mulheres lésbicas feministas, principalmente na América latina que teoriza sobre as relações de opressão vivenciadas na heterossexualidade e que está contribuindo muito com a crítica anti-patriarcal feminista. No Brasil, temos um número crescente de mulheres lésbicas organizadas que faz a crítica feminista anti-patriarcal e se sorve das teorias lésbico-feministas que estão sendo trabalhadas no mundo todo, principalmente na América latina.
As três redes nacionais de lésbicas- Articulação Brasileira de Lésbicas, Liga Brasileira de Lésbicas e Coletivo de Lésbicas Negras Candaces – possuem em suas diretrizes, os princípios feministas. Há também um grande número de mulheres independentes de redes e instituições que estudam e atuam conforme as teorias lésbicas feministas e outras que estão em redes mistas (redes LGBT) lutando para que as práticas feministas estejam presentes nas relações entre gays e lésbicas. Algumas delas além de militarem no movimento de mulheres lésbicas, também atuam no movimento feminista, inclusive dentro da AMB.
Muito se fala, no entanto da persistente dificuldade das organizações do movimento feminista em se envolver com as lutas específicas das mulheres lésbicas ou até mesmo uma falta de interesse nas críticas anti-patriarcais produzidas por teóricas lésbicas feministas.
Os motivos dessas dificuldades, ou de chamarmos essa conversa de “diálogos e controvérsias” podem ser vários. Pode se explicar através da heterossexualização do movimento feminista pode ser a dificuldade de reconhecer as luta específicas das lésbicas como uma legitima luta das mulheres, ou a suposição que lésbicas não estão tão vulneráveis quanto às heterossexuais aos augúrios do sistema patriarcal, ou pode ser a dificuldade do movimento feminista em trabalhar com as lésbicas não feministas presentes no movimento.
Acreditamos que o movimento feminista deve se abrir e ampliar o diálogo com o movimento de mulheres lésbicas brasileiro deve também estar atento ao modo de ver o patriarcado sob a lente das teorias lésbicas feministas e deve incorporar as lutas específicas destas mulheres. Assim estaremos mais fortes e estruturadas para combater o patriarcado pela sua raiz e construir um outro mundo possível.

Para consulta:

Occhy Curiel
Yuderks Spinosa
Mariana Pessah
Sheila Jefreys
Monique Withing
HTTP://grupolamce.blogspot.com

sábado, 23 de janeiro de 2010

A Produção do Conhecimento feito pelas Lésbicas

As Políticas Públicas para a Saúde das mulheres lésbicas no Brasil sempre foi, historicamente, uma das principais pautas dos movimentos sociais de mulheres lésbicas. No primeiro I SENALE (Seminário Nacional de Lésbicas- 1996, Rio de Janeiro), este tema se configurou como urgente e necessário para uma verdadeira qualidade de vidas de lésbicas e bissexuais. Assim, vários artigos produzidos por lésbicas tem sido difundido, tanto na academia como no Movimento.

O grupo LAMCE, agora tem uma nova seção no Blog chamado "Democratizando o conhecimento lésbico feminista", onde traz uma relação de artigos e obras para download escritas por lésbicas feministas trazendo o tema da saúde, o corpo político lésbico, dentre outros...

Mergulhe na produção do conhecimento lésbico e não esqueça: DEMOCRATIZE O CONHECIMENTO!!

PÁGINAS AFLITAS

A pagina em branco é o meu abismo...

dolorosamente tenho medo de cair;

Escrevo a palavra “dolorosamente” porque dói reconhecer que mantenho cotidianamente o meu cômodo e ilusório boicote...

É necessário que eu enfrente este abismo e, simplesmente, me jogue nele para poder, neste audacioso suicídio, libertar minhas palavras, minhas transgressões e minha ATITUDE...

é preciso explicitar a violenta angústia,

o violento silencio de cada boca invisibilizada...apagada.

Sim!Mesmo sabendo que pode ser inaudível este grito repleto de vocabulários denunciadores e suplicantes, tenho que jogar-me nesta surpreendente e necessária escrita com toda as suas ironias, metáforas e indignados versos da realidade nua, crua e louca...

É neste momento que me encontro ressuscitada

enfrentando o medo que não libertava

O abismo que não entendia...

A página que não reconhecia a força do meu punho revelador

A caneta que nem sequer rabiscava uma raiz ... negando a tinta da ação transformadora!

Aqui estou...radicalmente viva!

Convicta de que é preciso LESBIANIZAR!


Luanna Márley

sábado, 9 de janeiro de 2010

Abuso Sexual de Criança e o Pastor



Levando em consideração o número de crianças e adolescentes que são abusadas sexualmente muitas vezes por pessoas ligadas às igrejas católicas e envangélicas tanto na periferia de Fortaleza, bem como no interior do Estado do Ceará...

O LAMCE pergunta: "Quem vai prender o Diabo?"

Convocamos todas e todas para o enfrentamento à violência sexual contra a Criança e Adolescente.

Lembre-se: Denuncie o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Disque 100




Pastor preso acusado de violentar uma criança
9/1/2010

Uma denúncia levou a Polícia a prender, ontem, na cidade de Massapê (a 224Km de Fortaleza), o pedreiro e pastor evangélico Djalma Domingos Dias, 46. Ele é acusado de ter praticado abuso sexual contra uma criança de apenas seis anos.

Segundo as primeiras investigações, o acusado estaria fazendo serviço na casa da mãe da menina e aproveitou a ausência da dona da casa para abusar da menina. A mãe contou que teve que sair da residência e, como não havia outra pessoa da família ali, confiou no pedreiro.

Quando retornou, a mãe da menina descobriu o fato. Em depoimento na Polícia, o pastor confessou ter molestado a criança, mas negou tê-la estuprado, e disse que agiu por ter sido "tentado pelo diabo".

Fonte: Diário do Nordeste

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Militante Lésbica assume a 1ª Coordenação Nacional LGBT do Brasil

Mitchele Meira é nomeada para Coordenação LGBT




O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, nomeou a primeira Coordenadora de Promoção dos Diretos LGBT, novo órgão da SEDH, Mitchele Meira (foto). Militante lésbica, Mitchele Meira foi candidata a vereadora de Fortaleza e integrou, desde o início, o quadro do Governo Luizianne Lins. Atualmente, estava na Coordenadoria para Assuntos da Diversidade Sexual da prefeitura. Respeitada no movimento LGBT, assume a coordenação para tentar impulsionar os programas do governo Lula na área, que têm sofrido intensas críticas quando à morosidade.

Mitchele Meire compôs uma listra tríplice indicada pelo Setorial Nacional LGBT do PT para o cargo, e a escolha foi comemorada pelo coordenador setorial Julian Rodrigues. “As perspectivas de termos políticas LGBT eficientes e democráticas melhoraram muito.”, afirmou Rodrigues. Igo Martini, do Dignidade (Curitiba), foi convidado por Meira para a coordenação-adjunta.

Fonte: http://forumbaianol gbt.blogspot. com/2009/ 12/mitchele- meira-e-nomeada- para.html

Fique Sabendo: Mitchelle Meira é co-fundadora do Grupo LAMCE, em sua primeira formação no ano de 2004 e que articulou o primeiro trio elétrico lésbico da Parada Pela Diversidade Sexual, o famoso Trio "Parada na D´elas"

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Vigilia pelo Fim da violência contra a mulher

Hoje dia 24, as 18hrs começa a vigilia pelo fim da violênca contra a mulher.
A vigilia é organizada pelas organizações que compõe o Forum Cearense de Mulheres, inclusive o LAMCE, e se propõe a visibilizar a luta pelo fim da violencia contra a mulher, e os casos de mulheres brutalmente assassinadas pelo sistema patriarcal e heterossexista que vivemos.
Mesmo com a Lei Maria da Penha, que deveria contribuir para a diminuição dos casos de morte de mulheres, a violencia aumenta a cada ano.
As organizações e mulheres independentes estarão reunidas a partir das 18horas na praça da gentilandia. a programação é intensa e dura a noite inteira, com apresentações artísticas, grupos e bandas musicais, rodas de debate, apresentações de vídeos, e muito protesto e mobilização.
Confira abaixo alguns artigos de militantes do movimento de mulheres que foram publicados hoje no jornal O Povo.

Violência X autonomia
Diana Maia
24 Nov 2009 - 02h35min


Desde a consolidação do domínio masculino sobre o mundo, o controle sobre os corpos das mulheres é exercido de forma violenta e geralmente legitimada pela moral patriarcal que rege nossas sociedades. Acompanhando a polêmica do episódio da Uniban, protagonizado pela jovem Geisy Arruda, não posso deixar de tomá-lo como emblemático da desvalorização das mulheres em
nosso cotidiano.

Se antes éramos lançadas à fogueira por representar ameaça à ordem do mundo dos homens & pela ousadia de pular a janela do destino em busca de liberdade, conhecimento, prazer & hoje continuamos queimadas pela ridicularização pública e outras diversas formas de violência banalizadas em discussões simplistas sobre o que poderia ser evitado se: não usássemos tal roupa, não nos comportássemos de tal forma, não questionássemos tal lei, se não fôssemos mulheres em busca de autonomia. Os argumentos misóginos de culpabilização das mulheres, para desviar do problema real que é a violência sexista que nos é imposta, encontra respaldo e se encerra diante da afirmação da cultura como algo inquestionável.

É sobre nossos corpos como lugar de negação que se mantém todo um sistema de injustiças sociais, permeando nossa educação, leis e interpretação da realidade.

O corpo feminino como lugar de expressão da sexualidade simboliza no imaginário social dois destinos aparentemente opostos, mas reveladores de uma mesma alienação: o casamento e a prostituição (não me refiro aqui à livre escolha de união entre duas pessoas autônomas nem à opção de trabalhar com o sexo), quando estas duas alternativas restringem nosso comportamento à afirmação das expectativas sociais de aprovação ou condenação de nossa sexualidade. Ambas calcadas no viés opressor de domínio sobre os corpos e o exercício pleno da sexualidade feminina. O mito do amor romântico culminando com o contrato sexual impõe tantos obstáculos à autonomia das mulheres quanto a manipulação do discurso libertário pela lógica capitalista liberal, invertendo nossa proposta de relações igualitárias em consumo de pessoas.

Ainda precisamos avançar muito em todos os âmbitos de organização da vida em sociedade para que nós, mulheres, sejamos valorizadas como seres inteiros e autônomos e não reduzidas a Evas ou Marias, para que não mercantilizem nossos copos em tampinhas de cerveja, para que não sejamos criminalizadas nem mortas por dizer não à maternidade ou ao ex-companheiro, para que dívidas raciais, heterossexistas e adultocêntricas sejam tão reconhecidas quanto a luta de classes, para que a economia não se movimente pela ação de parasitas que consomem os corpos de nossas crianças e adolescentes. Para que nossas palavras superem a cautela e nossa voz ao invés de mansa conquiste a amplidão.

DIANA MAIA - Feminista militante do Fórum Cearense de Mulheres e do Coletivo de Jovens Feministas

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Direito a ter direitos
Mary Silva de Souza
24 Nov 2009 - 02h35min


É notório, quando mencionamos o termo violência, direcionarmos nosso discurso para o ataque físico, principalmente se estivermos nos referindo à violência
contra a mulher.

Devemos considerar que violência é um comportamento que causa dano à outra pessoa, ser vivo ou objeto. Portanto, quando nos deparamos com direitos negados, seja lá em que circunstância for, é uma situação de violência. No âmbito trabalhista, nós, mulheres, somos duramente penalizadas com uma sobrecarga de trabalho que não sabemos nem mais calcular se é dupla, tripla ou algo mais. E onde fica o nosso direito ao descanso semanal? Se com essa jornada ampliada até aos fins de semana estamos no ``tronco``, para cumprir com os cuidados com a família, determinados pela sociedade machista e patriarcal?

Constantemente tomamos conhecimento de serem burlados direitos adquiridos. E isso também precisa ser encarado como uma forma de violência. O poder legislativo aprova as leis e, vergonhosamente, muitas ficam só no papel, como é o caso da lei que trata o Piso Salarial Nacional do Magistério. A redução da carga horária dos professores em um terço é o que garante essa lei de fato, mas de direito ainda não foi executada. E a categoria fica a mercê dos gestores, que fazem total descaso de um direito garantido às custas de muita luta da sociedade civil organizada. Aí fica a indagação: será que a redução da jornada dos professores não é respeitada porque a categoria é majoritariamente composta por mulheres?

A sociedade capitalista se desenvolveu às custas da exploração do trabalho feminino e esse é um dos motivos que justificam a opressão que sofremos. É só imaginar quantas mulheres realizam o trabalho doméstico, o cuidado dos filhos, dos idosos, das pessoas com deficiência. Se o trabalho feminino não fosse desvalorizado e invisibilizado, se todas essas mulheres recebessem salários dignos por esse trabalho o sistema certamente entraria em colapso. E sobre nós, mulheres, é jogado o peso de sustentar esse sistema e, pior, sem o menor reconhecimento de que é às custas desse trabalho que os homens podem sair para trabalhar nas indústrias, nas fábricas, nas empresas etc. Para manter essa situação de exploração, a cultura machista usa um simples argumento: o trabalho doméstico faz parte da essência feminina.

Nós, mulheres, queremos usufruir os nossos direitos sem sermos questionadas por essa sociedade que oprime até nossa forma de vestir. O que nós mulheres queremos é a nossa liberdade incondicional. É podermos escolher o que vestir, aonde ir, com quem ficar, a quem amar. Enfim, queremos o direito de ter direitos. Isso é querer muito? Pois queremos ainda mais. Queremos uma sociedade que nos respeite, para que nos sintamos parte dela, sem hipocrisia.

MARY SILVA DE SOUZA - Pedagoga, integrante do Suprema e do Fórum Cearense de Mulheres


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Basta de violência
Aurycelia da Silva Costa
24 Nov 2009 - 02h35min


A violência contra a mulher é reconhecida como problema social, que vem lançando desafios para os poderes públicos, pressionados para agirem pela construção de justiça e igualdade de gênero. Essa violência, cometida por parceiros e ex-parceiros, é a maior causa de doenças e morte de mulheres. É um desafio urgente o conhecimento dos elementos simbólicos da dominação masculina, presentes nas representações sociais de gênero e de violência contra mulher, reproduzindo sofrimentos e violações que destroem sonhos de milhares de mulheres pelo mundo.

Essa violência configura-se no exercício de um poder que tem dimensões opostas em que se envolvem dominação, consentimento e também resistência. O poder é a possibilidade concreta de ação capaz de transformar as coisas. Tem dimensões pessoais, coletivas e políticas. O corpo das mulheres constitui-se em local de exercício de um poder de controle e de subjugo, como forma de calar e destruir a autonomia feminina contra as formas de dominação masculina. Uma maneira que expressa esse domínio do masculino sobre o feminino é à violência física, que assume o seu estágio final no assassinato que desenha, de forma brutal, essa violência, demarcando, nos corpos das vítimas, um sinal de ódio, que se expressa num crime cultural e político: o feminicídio. Segundo a imprensa cearense, de janeiro a novembro deste ano 113 mulheres foram assassinadas & quase uma mulher a cada dois dias e meio.

Essa morte não pode ser tratada como um crime comum. Os homens usam a força para matar a mulher com ferimentos provocados por armas diferentes, martirizando o corpo até a morte e, muitas vezes, até depois dela. Ora, a força em nossa sociedade é o mais evidente signo do macho e, dessa maneira, o modo de matar as mulheres revela-se como um crime de gênero.

A lei Maria da Penha (LMP), criada para combater e punir a violência doméstica e familiar contra mulheres, está enfrentando um embate ideológico e político, com a finalidade de inviabilizá-la. Precisamos agir na defesa dessa Lei, conquista não apenas de uma, mas de todas as mulheres. A LMP tem que ser garantida e aplicada como um instrumento de justiça e proteção, não como só mais uma Lei que vai ficar no papel. Ela é resultado de lutas e conquistas voltadas para mudança da realidade das mulheres que vivem em ciclos de violência que podem se iniciar pela violência psicológica, patrimonial, sexual, moral e física, terminando, muitas vezes, com o ``Feminicídio``, ou seja, o seu assassinato pelo fato de ser mulher. Devemos ser firmes: pelo fim de toda violência de gênero contra as mulheres e pela garantia de nossos direitos humanos.

AURYCELIA DA SIVA COSTA - Integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre gênero, idade e família (Negif) da UFC


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A atualidade do feminismo emancipacionista
Nágyla Drumond
24 Nov 2009 - 02h35min

O binômio classe/gênero é um dos principais elementos articuladores e estruturantes das relações sociais, permitindo-nos entender como os sujeitos estão sendo constituídos cotidianamente por um conjunto de significados impregnados de símbolos culturais, conceitos normativos, institucionalidades e subjetividades sexuadas que atribuem a homens e mulheres um lugar diferenciado no mundo, sendo essa diferença atravessada por relações de poder que conferem ao homem uma posição historicamente dominante. Entendendo, no entanto, que esses lugares sociais não são totalmente cristalizados, mas construídos de maneira relacional.

Ao longo do século XX, nunca ficou tão clara a existência e a continuidade da opressão de gênero. O progresso material da humanidade não foi acompanhado, na mesma medida, pelo avanço pessoal, social e político das mulheres. A atual crise do Capitalismo, inclusive, vem colocando novos desafios frente à luta feminista. É preciso fortalecer a identidade feminina, afirmando que somos donas de nossos corpos e de que devemos ampliar nossa participação nos espaços de poder e decisão como forma, inclusive, de enfrentar a violência. É necessário continuar avançando na garantia de políticas públicas, ocupando a esfera institucional de maneira decisória e, ao mesmo tempo, compreender que nossa fonte inspiradora continuará sendo a radicalidade de nossa luta: feminista e emancipacionista. Pois acreditamos que não basta incluir as mulheres numa agenda afirmativa de políticas públicas; é preciso emancipá-las. Por isso, continuamos firmes na construção de uma nova sociedade, que chamamos de Socialismo.

No Ceará, o ano de 2009 nem mesmo terminou e 113 mulheres já foram assassinadas. Um aumento de 21 %, em relação aos assassinatos registrados no Estado em todo o ano de 2008. Esta realidade exige, de maneira imediata, a implantação da Secretaria Estadual de Mulheres; a ampliação do número de juizados, delegacias especializadas, casas-abrigo, centros de referência, numa concepção que não responsabilize as mulheres pela violência que sofrem, mas que enfrente o desafio da violência sexista como um processo que deve ser desconstruído por toda a sociedade.

Neste 25 de novembro & Dia Internacional pela Erradicação de todas as formas de violência contra a Mulher - defendamos que um novo plano de desenvolvimento nacional, que avance ainda mais do que o Governo Lula vem avançando, é de fundamental importância para a vida das mulheres. Continuemos firmes em nossa luta diária em busca do desenvolvimento com participação ativa das mulheres, entendendo que a luta feminista se entrelaça à luta de nosso povo por uma sociedade verdadeiramente livre, justa e igualitária.

NÁGYLA DRUMOND - Mestre em Sociologia & Coordenação UBM/ Presidenta do Centro Socorro Abreu

domingo, 15 de novembro de 2009

O primeiro e único selo editorial da América do Sul especializado em publicações para lésbicas completa um ano


* Extraído na íntegra do site: www.estadao.com.br/noticias/suplementos,uma-editora-engajada,465997,0.htm , acesso em 15/11/2009 às 15h


Uma editora engajada
Ciça Vallerio - O Estado de S. Paulo

PIONEIRISMO – Hanna (esquerda) e Laura comemoram o lançamento do quarto livro da Malagueta A Malagueta é um empreendimento de lésbicas para lésbicas. Este é o mote da única editora da América do Sul que publica livros voltados só para mulheres homossexuais. Após um ano de existência do negócio, as sócias Laura Bacellar e Hanna Korich se preparam para lançar este mês o quarto título e comemorar o resultado dessa empreitada.

"Já participamos de várias feiras do livro, fizemos encontros literários em muitos estados, firmamos parcerias com livrarias independentes e, o mais importante, estamos contribuindo para a ampliação da cultura lésbica, que é uma maneira de erradicar o preconceito", avisa Laura, de 49 anos, respeitada profissional do mercado editorial, com passagens pelas principais editoras do País. Foi ela que lançou o selo GLS, criado dentro da Summus, e o primeiro do País dedicado às minorias sexuais.

Quando Laura fala em "ampliar a cultura lésbica" significa aumentar a visibilidade das homossexuais para que essas mulheres possam ser aceitas cada vez mais pela sociedade e por elas próprias. "Ao contrário dos homens gays, fomos ensinadas a ficar quietas", ressalta. "Mas a nova geração já começa a mudar isso, tornando-se menos invisível. Mesmo assim, tudo o que é produzido na nossa cultura só é pensado para as mulheres heterossexuais, apesar de pesquisas do porte do Relatório Kinsey revelarem que 10% das mulheres são lésbicas."

Um exemplo dessa disparidade está no próprio mercado editorial do Brasil, que comporta entre 20 mil e 50 mil títulos por ano. No entanto, de tudo o que está nas prateleiras das livrarias apenas 75 abordam a temática lésbica, conforme levantamento realizado por Laura Bacellar. E como esses poucos títulos não são divulgados, a Malagueta comercializa também livros de outras editoras que tratam do tema lesbianismo e costumam passar despercebidos entre as pilhas de lançamentos.

Os três livros editados pela Malagueta já fizeram a alegria de autoras brasileiras que encontraram um canal de divulgação e comercialização de seus romances. O primeiro foi As Guardiãs da Magia, de Lúcia Facco. Depois vieram Amores Cruzados, de Fátima Mesquita; e Shangrilá, de Marina Porteclis. Este mês, vai entrar na lista o Aqueles Dias Junto ao Mar, escrito por Karina Dias, que se tornou um frisson na internet e agora chega na versão impressa, reescrita e com um novo final.
CONTRA O ESTIGMA – Para a escritora Karina, quanto mais se fala sobre o tema, menor o preconceito

Em todas as publicações, as histórias falam de amor e sexo entre mulheres. As sócias avisam: "Os textos são um pouco apimentados, mas não trabalhamos com pornografia." Outra particularidade do selo Malagueta é o formato de bolso dos livros, que recebem contracapas lilás (cor que representa os homossexuais), para que suas leitoras tenham privacidade na hora de ler em lugares públicos. Mais uma curiosidade: o símbolo da editora são duas sapinhas, o que dá um toque de humor (para quem não sabe: "sapa" é um apelido popular para lésbica).


HAPPY END
Diferentemente de romances lésbicos publicados no passado, os livros lançados pela Malagueta têm direito a final feliz, embora isso não seja um requisito para a sua publicação. Para se ter uma ideia, as personagens da escritora Cassandra Rios, uma das precursoras da literatura lésbica no Brasil em plena repressão dos anos de 1970, eram amargas, bebiam muito e sofriam com o amor impossível.

Apenas em 1999, surgiu o primeiro livro brasileiro que falava do amor entre duas mulheres com final feliz. Foi Julieta e Julieta, escrito pela mineira Fátima Mesquita, que atualmente mora no Canadá. Apesar do estigma, as poucas publicações que tratam da homossexualidade feminina ajudam a entender e a aceitar a condição sexual de muitas que enfrentam barreiras na sociedade. Foi o que aconteceu com a própria Hanna, de 52 anos, que, junto com Laura, inaugurou a Malagueta.

"Os livros são fundamentais para tirar dúvidas, fazer as pessoas conhecerem o universo homo de uma forma serena", acredita Hanna. "Eu tive dificuldades para me aceitar, porque vivia em um universo profissional cheio de preconceitos, que era o de advogados, além do ambiente familiar. Foram os livros que me ajudaram a ter compreensão de mim mesma. Pensando na minha trajetória, entrei nesse projeto para que outras tenham a mesma oportunidade que eu tive."

Depois de várias décadas, Hanna assumiu publicamente sua homossexualidade e seu relacionamento de cinco anos com Laura, sua sócia.

A escritora Karina Dias, autora do quarto título da Malagueta, não sofreu preconceito quando assumiu sua condição sexual aos 18 anos. Porém, a maioria de suas leitoras lésbicas, que acompanha suas histórias publicadas na web, sente muita dificuldade para lidar com a sexualidade.

"Várias só conseguem viver o amor delas na internet, lendo os romances e contos que escrevo", conta a carioca Karina, de 30 anos, que estuda Jornalismo e se mudou para São Paulo, com o objetivo de morar com sua companheira paulistana. "Uma editora específica para esse nicho é importante, pois mostra, por meio de suas publicações, que é possível ser feliz. Além disso, a partir do momento em que se conhece mais sobre esse assunto, os estigmas e preconceitos vão se diluindo naturalmente."

Além das leitoras, muitas autoras também não se sentem à vontade para se expor. Por isso, acabam usando pseudônimos, como observa a carioca Lúcia Facco. Ela está finalizando a segunda parte do seu livro As Guardiãs da Magia, lançado pela Malagueta. Mas bem antes desse título, publicou outros com temática lésbica.
"Quanto mais se fala, mais se desmistifica o tema", ressalta Lúcia, que é mestre em Literatura Brasileira e doutora em Literatura Comparada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. "É importante que as pessoas saibam que não vivemos em gueto, que não ficamos fazendo sexo 24 horas por dia. Tem sexo sim, mas também há muita afetividade. Aliás, é o tipo de literatura que não é preciso ser lésbica para ler. Do mesmo jeito que não é necessário ser polícia para ler uma história policial."

Curso "Mídia, Gênero e Sexualidade"

* Por Luanna Marley


E pra quem gosta de Mídia articulada com a discussão de Gênero e Sexualidade, não percam as inscrições (que vão até o dia 18/11) para o Curso "Mídia, Gênero e Sexualidade". A realização é da Prefeitura Municipal de Fortaleza, através da Coordenadoria de Políticas Públicas para a Diversidade Sexual da Secretaria de Direitos Humanos.

O Curso, que será ministrado pelo Jornalista e escritor Júnior Rats, tem como objetivo refletir sobre como são construídas as imagens de identidade de gênero e de sexualidade da mídia atual, em especial a mídia publicitária.

O curso acontecerá entre os dias 23 de novembro a 03 de dezembro no Vila das Artes, sempre das 14 as 17hs e tem carga horária total de 30hs.

As incrições são gratuitas, destinadas a maiores de 18 anos, em horário comercial, na secretaria da Vila das Artes (Rua 24 de maio, 1221, Centro) e vão até o dia 18 de novembro. Serão disponibilizadas 30 vagas.

Por isso, Não PERCA!

Maiores Informações

Vila das Artes - 3252-1444
Coordenadoria de Políticas Públicas para Diversidade Sexual – 3452-2349/2345 ( diversidadefortaleza@gmail.com )

Júnior Ratts – 8747-4650

Sobre Júnior Ratts
Júnior Ratts é Bacharel em Comunicação formado pela Universidade Federal do Ceará, escritor, pesquisador, produtor cultural e tem experiência em redação jornalística e publicitária. Atualmente faz Mestrado em Comunicação na UFC, no qual desenvolve pesquisas em torno do tema "Mídia, Gênero e Sexualidade", as quais têm sido apresentadas, sob forma de artigo, em diversos encontros e congresso nacionais. Como escritor, já ganhou três prêmios literários – dois estaduais e um municipal – e publicará seu segundo livro no segundo semestre de 2009. O primeiro livro (Eterna Morte Passageira) volta-se para os sentimentos femininos de perda, rejeição, entre outros fatores que envolvem o cotidiano do gênero; já o segundo livro (Sweet Dreams: o anão e o cachorro, o calmante e o formicida) relata as angústias dos homossexuais masculinos. Em produção cultural, organiza há oito anos o NÓIA – Festival Brasileiro do Audiovisual Universitário.

Fonte: Coordenadoria de Políticas Públicas para Diversidade SExual -Secretaria de Direitos Humanos

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mulheres no computador = Homens pasmos

* Por Sheryda Lopes (Jovem feminista militante do Coletivo de Jovens Feministas do Ceará e graduanda em jornalismo)



Como contei num post anterior, estou fazendo um curso de webdesigner. Agora, o que não contei é que sou a única mulher. E já ouvi muitas coisas por conta disso, e só então percebi que nós somos raras em cursos desse tipo, assim como em hardware, designer gráfico avançado e programação. Acho que devido às nossas supostas funções no mundo (decoração e delicadeza) somos sempre levadas a fazer cursos de recepcionista, secretariado, call center, etc.

Aos homens ficam reservadas as funções que exigem mais racionalidade e frieza. Sem falar que para se desenvolver bem em programas de computador, é preciso ter tempo para ficar estudando, mas adivinha quem tem que fazer as tarefas domésticas ao invés disso? Um doce a quem adivinhar.
Abaixo, algumas pérolas de meus masculinos colegas:

-Porque você resolveu fazer um curso de webdesigner? (pessoa do sexo masculino pasma e intrigada)

-Porque quero aprender a fazer sites. (Dã!)

Na hora do intervalo, conversa entre dois homens e eu:

- Oi, você estuda aqui?

-Estudo.

-À tarde?

-Não, à noite (?o que eu estaria fazendo lá às 20:30 se estudasse à tarde?).

-Faz curso de quê?

- Web (me preparando para o pior).


-????Sééééério???? Nooossa!

- É sim! Eu também fiquei impressionado! Eles têm sorte, não tem ninguém florindo a minha turma.("eles " devem ser os meus abençoados colegas)

- Eu não tô florindo nada não!

- Mas se tem uma mulher, então o ambiente está florido!(poeta... )

- O curso é de web, não de paisagismo.( emocionada com a homenagem)

Isso foi depois que descobriram que eu além de mulher era feminista:

- Quer dizer que você é feminista?

-Anrã.

- Sinceramente, eu acho as feministas são mais machistas que os homens.

-Quantas feministas você conhece?

-Você é a primeira.

-Essa visão preconceituosa é muito reforçada para enfraquecer nosso movimento. Essa e muitas outras, como dizer que as mulheres são determinadas a cuidar do lar enquanto o homem detém a vida pública.

-Mas isso é verdade, todo mundo tem que assumir suas funções. A mulher tem ser mãe e educar os filhos, é natural. É porque querem quebrar esse equilíbrio que a nossa sociedade está ficando assim, sem rumo.

-Você acha que a nossa sociedade é equilibrada?

-Acho.

-Você deve ter uma vida muito confortável.

E essa foi quando eu estava brincando no Corel Draw durante uma aula livre e fiz o desenho abaixo:



Um colega atrás de mim viu a ilustração e falou beeem alto:

-Ei, esse desenho aí num tá meio LÉSBICO não?(indignado)

Respondi bem altão também:

-MEIO? Eu fiz o mais lésbico que consegui e ainda assim ficou só meio lésbico? (risinhos abafados da turma seguido de silêncio).

Ultimamente tenho evitado esses momentos porque o curso é a noite e quase sempre estou super cansada para ainda ter que me meter em debates e esclarecimentos.

Mas sinceramente, é um saco ouvir as piadinhas machistas no fundão comentando de forma nojenta as gostosonas não sei de onde, fora as homofobias. Esta semana, por exemplo, tinha um cara dizendo que o Alexandre Pato (jogador muito rico) podia ter qualquer “gata-gostosa” que quisesse, mas ao invés disso tinha casado com uma “doidinha-mó-páia”. Ai meus sais lilases...

Agora quando algum absurdo é “compartilhado” para a turma durante a aula eu me dou o direito a algumas cortadas. Afinal, ser feminista é estar sempre alerta. O problema é quando a gente acaba sendo tão violenta quanto o agressor e acaba perdendo uma oportunidade de firmar um diálogo. Mas também nem sempre tem que tratar com luvas de pelica certas coisas. De vez em quando um Simancol básico cai bem. E haja Simancol.


Fonte: Texto extraido do Blog Sherviajando (http://sherviajando.blogspot.com/2009/07/mulheres-no-computador-homens-pasmos.html)

Não deixe de conferir esse blog - http://sherviajando.blogspot.com/