"Quero fazer da minha existencia lesbica feminista a produção crítica de mim mesma e do mundo!"

(frase criada por várias lésbicas feminista do Brasil- Marylucia Mesquita, Luanna Marley, Kaká Kolinsk...)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Nota Oficial sobre o Projeto Escola Sem Homofobia



Diante de fatos e notícias sobre o Kit de Materiais Educativos do Projeto Escola Sem
Homofobia, vimos a público informar de que se trata o material.

O que é o Projeto Escola Sem Homofobia?

O Projeto Escola Sem Homofobia, apoiado pelo Ministério da Educação/Secretaria de
Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (MEC/SECAD), tem como objetivo
“contribuir para a implementação do Programa Brasil sem Homofobia pelo Ministério
da Educação, através de ações que promovam ambientes políticos e sociais favoráveis à
garantia dos direitos humanos e da respeitabilidade das orientações sexuais e identidade
de gênero no âmbito escolar brasileiro”. Uma análise de situação justificando o projeto e
suas atividades se encontra ao final deste documento.

O Projeto foi planejado e executado em parceria entre a rede internacional Global
Alliance for LGBT Education – GALE; a organização não governamental Pathfinder do
Brasil; a ECOS – Comunicação em Sexualidade; a Reprolatina – Soluções Inovadoras
em Saúde Sexual e Reprodutiva; e a ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas,
Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Todas as etapas de seu planejamento e
execução foram amplamente discutidas e acompanhadas de perto pelo MEC/SECAD.
Produtos do Projeto Escola Sem Homofobia

O Projeto teve dois produtos específicos, a fim de alcançar o objetivo acima
mencionado:

1) Um conjunto de recomendações elaborado para a orientação da revisão, formulação e
implementação de políticas públicas que enfoquem a questão da homofobia nos
processos gerenciais e técnicos do sistema educacional público brasileiro, que se baseou
nos resultados de duas atividades:
a) A realização de 5 seminários, um em cada região do país, com a participação
de profissionais de educação, gestores e representantes da sociedade civil, para
obter um perfil da situação da homofobia na escola, a partir da realidade
cotidiana dos envolvidos.
b) A realização de uma pesquisa qualitativa sobre homofobia na comunidade
escolar em 11 capitais das 5 regiões do país, envolvendo 1406 participantes,
entre secretários(as) de saúde, gestores(as) de escolas, professores(as),
estudantes e outros integrantes das comunidades escolares. A metodologia da
pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unicamp.

2) A incorporação e institucionalização de uma estratégia de comunicação para
trabalhar a homossexualidade de forma mais consistente e justa em contextos
educativos e que repercuta nos valores culturais atuais. A estratégia compreende:
a) Criação de um kit de material educativo abordando aspectos da homo-lesbotransfobia no ambiente escolar, direcionado para gestores(as), educadores(as) e
estudantes.
b) Capacitação de técnicos(as) da educação e de representantes do movimento
LGBT de todos os estados do país para a utilização apropriada do kit junto à
comunidade escolar.


Kit de material educativo Escola sem Homofobia

O material se destina à formação dos/das professores(as) em geral, dando a eles
subsídios para trabalharem os temas no ensino médio.

Trata-se de um conjunto de instrumentos didático-pedagógicos que visam à
desconstrução de imagens estereotipadas sobre lésbicas, gays, bissexuais, travestis e
transexuais e para o convívio democrático com a diferença, contribuindo para:

 Alterar concepções didáticas, pedagógicas e curriculares, rotinas escolares e
formas de convívio social que funcionam para manter dispositivos pedagógicos
de gênero e sexualidade que alimentam a homofobia.
 Promover reflexões, interpretações, análises e críticas acerca de algumas noções
que frequentemente habitam as escolas com tal “naturalidade” ou que se
naturalizam de tal modo que se tornam quase imperceptíveis, no que se refere
não apenas aos conteúdos disciplinares como às interações cotidianas que
ocorrem nessa instituição.
 Desenvolver a criticidade infanto-juvenil relativamente a posturas e atos que
transgridam o artigo V do Estatuto da Criança e do Adolescente, segundo o qual:
“Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da
lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais”.
 Divulgar e estimular o respeito aos direitos humanos e às leis contra a
discriminação em seus diversos âmbitos
 Cumprir as diretrizes do MEC; da SECAD; do Programa Brasil sem Homofobia;
da Agenda Afirmativa para Gays e outros HSH e Agenda Afirmativa para
Travestis do Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de AIDS e das DST
entre Gays, HSH e Travestis; dos Parâmetros Curriculares Nacionais; do Plano
Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT; do
Programa Nacional de Direitos Humanos III; das deliberações da 1ª Conferência
Nacional de Educação; do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos; e
outras.

O kit é composto de:
- um caderno
- uma série de seis boletins (Boleshs)
- três audiovisuais com seus respectivos guias
- um cartaz
- cartas de apresentação para o/a gestor(a) e para o/a educador(a).

Segue um resumo dos materiais do kit:

CADERNO ESCOLA SEM HOMOFOBIA – peça-chave do kit, articula com os
outros componentes (DVDs/audiovisuais, guias que acompanham os
DVDs/audiovisuais, boletins). Traz conteúdos teóricos, conceitos básicos e
sugestões de dinâmicas/oficinas práticas para o/a educador(a) trabalhar o tema
da homofobia em sala de aula/na escola/na comunidade escolar visando a
reflexão, compreensão, confronto e eliminação da homofobia no ambiente
escolar. As propostas de dinâmicas contidas no caderno têm interface com os
DVDs/audiovisuais e boletins.

BOLETINS ESCOLA SEM HOMOFOBIA (BOLESHS) - série de 6 boletins,
destinados às/aos estudantes cada um abordando um assunto relacionado ao
tema da sexualidade, diversidade sexual e homofobia. Trazem conteúdos que
contribuem para a compreensão da sexualidade como construção histórica e
cultural; para saber diferenciar sexualidade e sexo; para reconhecer quando
valores pessoais contribuem ou não para a manutenção dos mecanismos da
discriminação a partir da reprodução dos estereótipos; para agir de modo
solidário em relação às pessoas independente de sua orientação sexual, raça,
religião, condição social, classe social, deficiência (física, motora, intelectual,
sensorial); para perceber e corrigir situações de agressão velada e aberta em
relação a pessoas LGBT.

AUDIOVISUAIS:
a) DVD Boneca na Mochila (Versão em LIBRAS)
Ficção que promove a reflexão crítica sobre como as expectativas de gênero
propagadas na sociedade influenciam a educação formal e informal de crianças,
através de situações que, se não aconteceram em alguma escola, com certeza já
foram vivenciadas por famílias no mesmo contexto ou em outros. Ao longo do
audiovisual, são apresentados momentos que revelam o quanto de preconceito
existe em relação às pessoas não heterossexuais.
Baseado em história verídica, mostra um motorista de táxi que conduz uma
mulher aflita chamada a comparecer à escola onde seu filho estuda, apenas
porque o flagraram com uma boneca na mochila. Durante o caminho,
casualmente, o rádio do táxi está sintonizando um programa sobre
homossexualidade que, além de noticiar o fato que se passa na escola onde
estuda o menino em questão, promove um debate com especialistas em educação
e em psicologia, a respeito do assunto.

b) DVD Medo de quê?
Desenho animado que promove uma reflexão crítica sobre como as expectativas
que a sociedade tem em relação ao gênero influenciam a vivência de cada pessoa
com seus desejos, mostrando o cotidiano de personagens comuns na vida real. O
formato desenho animado, sem falas, facilita sua exibição para pessoas de
diferentes contextos culturais, independente do nível de alfabetização dos/das
espectadores(as).
Marcelo, o personagem principal, é um garoto que, como tantos outros, tem
sonhos, desejos e planos. Seus pais, seu amigo João e a comunidade onde vive
mostram expectativas em relação a ele que não são diferentes das que a
sociedade tem a respeito dos meninos. Porém nem sempre os desejos de Marcelo
correspondem ao que as pessoas esperam dele. Mas quais são mesmo os desejos 4
de Marcelo? Essa questão gera medo, tanto em Marcelo quanto nas pessoas que
o cercam. Medo de quê? Em geral, as pessoas têm medo daquilo que não conhecem bem.
Assim, muitas vezes alimentam preconceitos que se manifestam nas mais
variadas formas de discriminação. A homofobia é uma delas.

c) Audiovisual Torpedo
Audiovisual que reúne três histórias que acontecem no ambiente escolar:
Torpedo; Encontrando Bianca e Probabilidade.
Torpedo - animação com fotos, que apresenta questões sobre a lesbianidade
através da história do início do namoro entre duas garotas que estudam na
mesma escola: Ana Paula e Vanessa.
Ana Paula estava na aula de informática quando deparou toda a turma vendo na
internet fotos dela e de Vanessa numa festa, que haviam sido divulgadas por
alguém para a escola toda. A partir daí, as duas se questionam sobre como as
pessoas irão reagir a isso e sobre que atitude devem tomar. Após algumas
especulações, decidem se encontrar no pátio na hora do intervalo. Lá,
assertivamente, assumem sua relação afetiva num abraço carinhoso assistido por
todos. Encontrando Bianca - por meio de uma narrativa ficcional em primeira pessoa,
num tom confessional e sem autocomiseração, como num diário íntimo, José
Ricardo/Bianca revela a descoberta e a busca de sua identidade de travesti.
Sempre narrada em tempo presente, acompanhamos a trajetória de Bianca e os
dilemas de sua convivência dentro do ambiente escolar: sua tendência a se
aproximar e se identificar com o universo das meninas; as primeiras vezes em
que, em sua casa, se vestiu de mulher; a primeira vez em que foi para a escola
com as unhas pintadas, cada vez assumindo mais, no ambiente escolar, sua
identidade de travesti; a dificuldade de ser chamada pelo nome (Bianca) com o
qual se identifica; os problemas por não conseguir utilizar, sem
constrangimentos, tanto o banheiro feminino quanto o masculino; as ameaças e
agressões de um lado e os poucos apoios de outro. Probabilidade - com tom leve e bem-humorado, o narrador conta a história de Leonardo, Carla, Mateus e Rafael. Leonardo namora Carla e fica triste quando sua família muda de cidade. Na nova escola, Leonardo é bem recebido por Mateus, que se torna um grande amigo. Mas ele só compreende por que a galera
fazia comentários homofóbicos a respeito dele e de Mateus quando este lhe diz
ser gay. Um dia, Mateus convida Leonardo para a festa de despedida de um
primo, Rafael, que também está de mudança. Durante a festa, Leonardo conversa com Rafael e, depois da despedida, fica refletindo sobre a atração sexual que sentiu pelo novo amigo que partia. Inicialmente sentiu-se confuso, porque também se sentia atraído por mulheres,
mas ficou aliviado quando começou a aceitar sua bissexualidade.

d) CARTAZ E CARTAS PARA GESTORA/R E EDUCADORAS/R – o cartaz tem a
finalidade de divulgar o projeto para a escola e para a comunidade escolar e as
cartas apresentam o kit para o/a gestor(a) e educadores(as), respectivamente.


Capacitação Escola sem Homofobia

Segundo elemento da estratégia, a capacitação teve por objetivo habilitar um grupo de
pessoas a atuar como multiplicadoras na compreensão dos conceitos principais e na
utilização do kit de material educativo do projeto ESH, como instrumento para
contribuir para a erradicação da homofobia no ambiente escolar.

Foram realizadas seis capacitações com cerca de 200 profissionais da educação de todos
os estados no uso dos materiais – três em São Paulo e três em Salvador nos meses de
agosto e setembro de 2010. Estes/estas profissionais serão multiplicadores(as),
responsáveis por capacitar outros(as) profissionais da educação no âmbito local.
A metodologia empregada nas capacitações foi participativa e incorporou técnicas de
educomunicação, além de discussões em grupo, troca de experiências. Utilizou técnicas
e conteúdos teóricos presentes no Caderno Escola sem Homofobia e incorporou os
outros elementos do kit (DVDs/audiovisuais, guias que acompanham os
DVDs/audiovisuais, boletins).

Pesquisa qualitativa do projeto Escola sem Homofobia
Foi realizada uma pesquisa qualitativa com o objetivo de conhecer a percepção das
autoridades educacionais, equipe docente, funcionários/as e estudantes da rede pública
de ensino, sobre a situação da homofobia no ambiente escolar, para dar subsídios ao
programa Brasil sem Homofobia. A pesquisa foi realizada em 11 capitais das 5 regiões
do país e incluiu em cada capital quatro escolas da rede municipal e estadual. O projeto
de pesquisa foi aprovado pelo MEC/SECAD. A metodologia do projeto de pesquisa foi
aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da
UNICAMP em 15 de julho de 2008. De acordo à Resolução 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde, o Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) foi assinado
por todos(as) os(as) participantes em entrevistas em profundidade e grupos focais.
Todos/a os/as estudantes menores de 18 anos tiveram assinado o TCLE pelos pais ou
responsáveis legais. Um total de 1406 participantes de entrevistas e grupos focais que
incluíram Secretários/as Municipal e Estadual de educação, diretores/as de escola,
coordenadores/as pedagógicos, educadores, outros funcionários como guardas,
merendeiras e estudantes de escolas públicas. Os principais resultados da pesquisa
mostraram que existe homofobia na escola e houve consenso de que as atitudes e
práticas de discriminação e violência trazem consequências sérias para os e as
estudantes, que vão desde tristeza, depressão, baixa na autoestima, queda no rendimento
escolar, evasão escolar e até casos de suicídio foram relatados. A pesquisa também
mostrou que embora exista uma política de educação sexual, na opinião de estudantes e
de educadores, não há educação sexual de maneira sistemática na escola e não se
abordam as diversidades sexuais. Entre os motivos apontados está a falta compreensão
sobre a homossexualidade, a falta de preparo de educadores/as sobre o tema sexualidade
e diversidades sexuais, o preconceito que existe na escola sobre o tema, o temor da
reação das famílias e a falta de materiais para trabalhar o tema. Os resultados mostraram
também uma invisibilidade da população LGBT na escola, houve consenso de que há
mais gays que lésbicas na escola e que travestis e transexuais não estão na escola. As
recomendações feitas incluíram realizar cursos de capacitação para educadores/as sobre
o tema e disponibilizar nas escolas materiais que permitam acabar com a homofobia na
escola.


Posição atual quanto ao kit Escola sem Homofobia
Os materiais que compõem o kit estão com o Ministério da Educação, especificamente a
Coordenação-Geral de Educação e Direitos Humanos da Secretaria de Educação
Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), aguardando o parecer final e
aprovação. Uma vez aprovados, o compromisso assumido pela SECAD é de
imprimir/copiar e distribuir kits para 6.000 escolas.

Os materiais estarão disponíveis para divulgação somente após a aprovação pela
SECAD, quando então a ECOS pretende disponibilizá-los para download no seu site
(www.ecos.org.br) e sites parceiros.

Assinam esta Nota Oficial:
ABGLT - Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, bissexuais Travestis e Transexuais
Pathfinder do Brasil.
ECOS - Comunicação em Sexualidade
Reprolatina - Soluções Inovadoras em Saúde Sexual e Reprodutiva


* Situação-problema que justifica a realização do Projeto Escola Sem Homofobia

Estudos publicados nos últimos cinco anos vêm demonstrando e confirmando cada vez
mais o quão a homo-lesbo-transfobia (medo ou ódio irracionalmente às pessoas LGBT)
permeia a sociedade brasileira e está presente nas escolas. A pesquisa intitulada
“Juventudes e Sexualidade”, realizada pela Unesco no ano 2000 e publicada em 2004,
foi aplicada em 241 escolas públicas e privadas em 14 capitais brasileiras. Segundo
resultados da pesquisa, 39,6% dos estudantes masculinos não gostariam de ter um
colega de classe homossexual, 35,2% dos pais não gostariam que seus filhos tivessem
um colega de classe homossexual, e 60% dos professores afirmaram não ter
conhecimento o suficiente para lidar com a questão da homossexualidade na sala de
aula.

O estudo "Revelando Tramas, Descobrindo Segredos: Violência e Convivência nas
Escolas", publicado em 2009 pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana,
baseada em uma amostra de 10 mil estudantes e 1.500 professores(as) do Distrito
Federal, e apontou que 63,1% dos entrevistados alegaram já ter visto pessoas que são
(ou são tidas como) homossexuais sofrerem preconceito; mais da metade dos/das
professores(as) afirmam já ter presenciado cenas discriminatórias contra homossexuais 7
nas escolas; e 44,4% dos meninos e 15% das meninas afirmaram que não gostariam de
ter colega homossexual na sala de aula.

A pesquisa “Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar” realizada pela
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, e também publicada em 2009, baseou-se
em uma amostra nacional de 18,5 mil alunos, pais e mães, diretores, professores e
funcionários, e revelou que 87,3% dos entrevistados têm preconceito com relação à
orientação sexual.

A Fundação Perseu Abramo publicou em 2009 a pesquisa “Diversidade Sexual e
Homofobia no Brasil: intolerância e respeito às diferenças sexuais”, que indicou que
92% da população reconheceram que existe preconceito contra LGBT e que 28%
reconheceram e declarou o próprio preconceito contra pessoas LGBT, percentual este
cinco vezes maior que o preconceito contra negros e idosos, também identificado pela
Fundação.

Essas diversas e conceituadas fontes não deixam dúvidas de que há muito a ser feito
para diminuir a homo-lesbo-transfobia, e uma das instituições que mais podem
influenciar positivamente nesse processo é a escola. Muito trabalho já vem sendo feito
nessa área e é importante destacar as recomendações aprovadas na Conferência
Nacional de Educação Básica em relação à diversidade sexual, dentre as quais citamos:
 Evitar discriminações de gênero e diversidade sexual em livros didáticos e
paradidáticos utilizados nas escolas;
 Ter programas de formação inicial e continuada em sexualidade e
diversidade;
 Promover a cultura do reconhecimento da diversidade de gênero, identidade
de gênero e orientação sexual no cotidiano escolar;
 Evitar o uso de linguagem sexista, homofóbica e discriminatória em material
didático-pedagógico;
 Inserir os estudos de gênero e diversidade sexual no currículo das
licenciaturas.

A Conferência Nacional LGBT (2008) aprovou 561 recomendações para políticas
públicas para pessoas LGBT em diversas áreas, as quais foram sistematizadas no Plano
Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, lançado em 14 de
maio de 2009. O Plano prevê quinze ações a serem executadas pelo Ministério da
Educação e é uma importante ferramenta para a promoção da inclusão e do respeito à
diversidade nas escolas.

A Conferência Nacional de Educação (2010), no seu Eixo Temático VI, aprovou mais
de 20 recomendações relativos a gênero e diversidade sexual.


Fonte: www.abglt.org.br

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Ensaio Aberto: Tambores de Safo


* Por Luanna Marley


Acontece na Fortaleza Negra, Lésbica e de Safo....

Os Tambores de Safo iniciam as suas atividades político-culturais! Pautando a sua atuação a partir do feminismo negro e lésbico, os ritmos afro-nordestinos voltam a soar nos corpos, almas, sexualidades e cores vibrantes que tomam conta do Parque da Liberdade-Cidade da Criança.

Entre baiões, afoxés e maracatus, o ano de 2011 se inicia com muito axé e lesbianidades negras! A necessidade de lutarmos contra a cotidiana e naturalizada violência desta sociedade que tem como base cultural a heterossexualidade obrigatória, o racismo, o machismo e o capitalismo, faz com que estes cantos, gritos e batuques ecoem por Fortaleza e pelo mundo quebrando os silêncios, denunciando as opressões e convocando a todas e todos para uma ação coletiva transformadora.

A voz, o canto, o grito, o batuque, o corpo...o ARTivismo são fundamentais para movermos o mundo!


Sobre os Tambores de Safo:


É um grupo de percussão feminista, da cidade de Fortaleza- Ceará, formado por mulheres para intervenções político-culturais, a partir de uma consciência negra, lésbica e bissexual. O objetivo é transformar o mundo pelo feminismo, através de intervenções culturais que promovam o pensamento crítico, a ação política organizada e o empoderamento das mulheres.


REALIZAÇÃO:

Lésbicas e mulheres Bissexuais independentes

GRUPO LAMCE- Liberdade do Amor entre Mulheres no Ceará


Apoio:

Prefeitura de Fortaleza, através da Secretaria de Direitos Humanos- Coordenadoria da Diversidade Sexual.




Agende-se para o Mês de Janeiro

Ensaio Aberto
Todos os Sábado a partir das 15h
Local: Parque da Liberdade- Cidade das Crianças (Rua Pedro I, s/n - antiga Funci)


Maiores Informações:
Luanna Marley- 8690.6467
Flávia Soledade- 8506.5461
Alessandra Guerra- 8508.1618

ou através do e-mail: lamcegrupo@hotmail.com


Acompanhe os passos e ritmos dos Tambores de Safo neste blogg!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Oficina - Mulheres pelo fim do Racismo

O Fórum Cearense de Mulheres convida todas a participarem desta importante oficina que será realizada na Casa Feminista Nazaré Flor: Avenida do Imperador, 1443 - Centro Fortaleza.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CARTA ÀS/AOS DEPUTADAS/OS DA COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA

CARTA ÀS/AOS DEPUTADAS/OS
DA COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA

Desde o início da atual legislatura em 2007, a Câmara dos Deputados tem sido palco da atuação de parlamentares que têm dedicado seus mandatos a uma crescente perseguição e criminalização das mulheres, propondo verdadeiros retrocessos legislativos. Muitos desses parlamentares compõem a atual Comissão de Seguridade Social e Família. Entendemos que a apresentação de proposições legislativas que limitam os direitos sexuais e reprodutivos colocam em risco a vida e a saúde de milhares de mulheres por todo o país.
Importante recordar que desde a década de 90 o Brasil teve importantes avanços no campo da saúde das mulheres e dos direitos sexuais e reprodutivos, consoantes com os compromissos assumidos pelo estado Brasileiro junto às Nações Unidas. Referem-se especialmente à necessidade de buscar a redução dos elevados índices de mortalidade materna resultantes do aborto realizado em condições de insegurança e risco; à atenção humanizada às mulheres vítimas de violência sexual; o acesso aos métodos contraceptivos modernos de livre escolha das mulheres, e, por fim, reconhecer a capacidade das mulheres exercerem suas decisões no campo da saúde e sexualidade.
A Conferência Internacional de População e Desenvolvimento do Cairo, de 1994 e a Quarta Conferência Mundial das Mulheres de Beijing, de 1995, por exemplo, afirmaram os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Os documentos internacionais originados nestas conferências – o Programa de Ação do Cairo e a Plataforma de Ação de Beijing – são diretrizes para ações governamentais na área da saúde sexual e reprodutiva. O governo brasileiro, quando assinou tais documentos, passou a assumir um compromisso político de alcançar as metas ali previstas. O parágrafo 106 K da Plataforma de Ação de Beijing, de 1995, dispõe que “os governos devem considerar revisarem as leis que contém medidas punitivas contra mulheres que realizaram abortos ilegais”.
Os órgãos de supervisão e monitoramento do cumprimento dos tratados internacionais pelos Estados do Sistema das Nações Unidas já vêm se posicionando sobre questões de saúde sexual e reprodutiva, em especial quando se refere ao aborto inseguro ou realizado em condições de risco para a vida e a saúde das mulheres. O Comitê de Direitos Humanos da ONU, no seu Comentário Geral nº 28 sobre a igualdade entre homens e mulheres dispôs que “O Estado pode falhar em respeitar o direito das mulheres à privacidade relacionando às questões reprodutivas, por exemplo (...) quando os Estados impuserem uma obrigação legal sobre médicos e outros profissionais de saúde para reportar casos em que as mulheres realizaram aborto.” (parágrafo 20)
Neste sentido, a Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, em seu artigo 2 (g) determina que todos os países derroguem disposições penais nacionais que constituam discriminação contra a mulher. A discussão sobre o aborto deve ser pautada nos dispositivos constitucionais e no disposto nos tratados e conferências internacionais de direitos humanos das Nações Unidas, conforme acima mencionado.
Por todo o exposto, no ano de 2010, em que se comemora o centenário do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e em que o Brasil elegeu uma mulher para Presidente da República, novamente causa-nos enorme preocupação a pauta da Comissão de Seguridade Social e Família desta quarta-feira, dia 08 de dezembro, por atentar contra os princípios constitucionais e compromissos internacionais assinados pelo Brasil.
Constam na pauta cinco projetos de lei relativos à interrupção da gravidez que, se aprovados, conforme propõem seus relatores, darão um passo a mais para a criminalização e discriminação das mulheres no Brasil.
PL nº 831/2007 (item 63) dispõe sobre a exigência para que hospitais municipais, estaduais e federais implantem um programa de orientação à gestante sobre os efeitos e métodos utilizados no aborto, quando este for autorizado legalmente. A proposta representa mais uma tentativa de restrição dos direitos das mulheres já conquistados. Uma mulher que procura o Sistema Único de Saúde para realizar um aborto nas condições permitidas em lei – risco de vida à mãe e estupro – perderia um tempo valioso de atendimento e socorro se parasse para assistir vídeos ou receber orientação religiosa. Além disso, uma mulher que procura atendimento para realizar um aborto legal já tomou o tempo que julgou necessário para ponderar sobre sua situação e, como adulta consciente e autônoma de seus atos, pôde tomar sua decisão. Significaria subestimar a capacidade de reflexão e decisão de uma mulher submetê-la compulsoriamente a orientações externas não solicitadas. Por fim, este projeto cria mais uma etapa burocrática a ser cumprida pela mulher para ver seu direito a um aborto legal garantido. Ademais, as normas técnicas do Ministério da Saúde, em especial a de “Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes” e a da “Atenção Humanizada ao Abortamento”, refletem o reconhecimento do governo brasileiro de que as mulheres em processo de abortamento ao procurarem os serviços de saúde devem ser acolhidas, atendidas, informadas e tratadas com dignidade, e têm por objetivo reduzir a mortalidade materna.
PL nº 2.185/2007 (item 74) altera o art. 7° da Lei n° 9.263, de 12 de janeiro de 1996 (Lei de planejamento familiar), de modo a proibir a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros nas ações e pesquisas de planejamento familiar. Na verdade, o projeto visa impedir qualquer recurso para organizações brasileiras que lutem pelos direitos das mulheres no sentido do avanço da legislação em direitos sexuais e reprodutivos bem como na implementação de políticas públicas em saúde sexual e reprodutiva.
PL nº 2.504/2007 (item 81) cria o cadastro obrigatório de gravidez em todas as unidades de saúde, com o deliberado intuito de controlar a autonomia reprodutiva das mulheres, buscando como objetivo final a criminalização de mulheres que tenham praticado o aborto. O inciso IV do PL se refere a “dados probatórios para a comprovação do aborto” e explicita tal intenção de obtenção de provas para a prática do aborto através do cadastramento obrigatório e viola diversos princípios constitucionais, tais como: o princípio da intimidade e da privacidade (artigo 5º, inciso X); o princípio da presunção da inocência (artigo 5º, inciso LVII); o princípio da boa fé que deve reger as normas legais, já que parte do pressuposto que as mulheres gestantes são criminosas em potencial. Além disso, viola o direito de não produzir prova contra si, bem como o direito ao segredo médico e à confidencialidade, pois obriga o médico a cadastrar a paciente para fins de prova de aborto. Ou seja, impõe publicidade a uma relação que é privada e particular, porque estabelecida em confiança, a um profissional da área de saúde. Além disso, viola a Resolução nº 1.605/2000 do Conselho Federal de Medicina que desobriga os médicos a fornecerem prontuários médicos e informações que possam criminalizar pacientes.
PL 3.204/2008 (item 98), que propõe a obrigatoriedade de se estampar, nas embalagens de produtos para detecção de gravidez, a advertência “aborto é crime: aborto traz risco de morte à mãe; a pena por aborto provocado é de 1 a 3 anos de detenção”. O projeto fere o direito humano de ter acesso ao conhecimento científico e à informação sobre a reprodução humana, coagindo as mulheres do exercício do direito de escolha, bem como reforçando uma perspectiva punitiva contrária aos acordos internacionais assinados pelo Estado Brasileiro.
Por fim, causa ainda preocupação o PL 4.594/2009 (item 133), que dispõe sobre o sepultamento e o assentamento do óbito em caso de perdas fetais. O projeto também merece rejeição conforme parecer da relatora, Deputada Jô Moraes, pois é inócuo, já que a dignidade do tratamento das perdas fetais está sendo observada na legislação e regulamentos sanitários do Brasil, pois em todas as situações os destinos previstos são o sepultamento, a incineração ou a cremação.
Entendemos que todas essas propostas e muitas outras que tramitam nesta Comissão atentam aos direitos humanos das mulheres e estão na contramão dos objetivos democráticos propostos para este Parlamento. Levando em consideração todo o exposto, solicitamos aos/às parlamentares dessa Comissão um esforço no sentido de evitar a aprovação dessas proposições legislativas, seja solicitando a retirada de pauta ou o pedido de vistas das propostas, seja contribuindo para a rejeição desses retrocessos legislativos na Comissão de Seguridade Social e Família.
Contamos com o apoio de V. Exª para que os direitos sexuais e reprodutivos de nossa sociedade sejam implementados e respeitados.
 Atenciosamente,

Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro
Redes e Articulações
Associação Brasileira de ONGS - ABONG
Articulação de Mulheres Brasileiras - AMB
Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras – AMNB
Católicas pelo Direito de Decidir- Brasil
Centro Latino-americano de Sexualidade e Direitos Humanos/CLAM
Comitê Latino-americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher Brasil/ CLADEM Brasil
Fórum de Mulheres do MERCOSUL
Liga Brasileira de Lésbicas – LBL
Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia/ MAMA
Movimento de Adolescentes do Brasil
Rede de Homens pela Equidade de Gênero/ RHEG
Rede de Mulheres no Rádio
Rede Jovens Brasil Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos/RJB
Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos/RFS
Relatoria de Saúde da Plataforma pelos Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais/Plataforma DhESCA
Secretaria Nacional de Mulheres Trabalhadoras da CUT
União Brasileira de Mulheres/UBM

Organizações

Ações em Gênero Cidadania e Desenvolvimento/AGENDE (DF)
Associação Cultural de Mulheres Negras/ACMUN (RS)
Associação Lésbica Feminista Coturno de Vênus (DF)
Bamidelê Organização de Mulheres Negras da Paraíba (PB)
Casa da Mulher Catarina (SC)
Casa da Mulher 8 de Marco (TO)
Centro da Mulher 8 de Março (PB)
Centro de Atividades Culturais Econômicas e Sociais/CACES (RJ)
Centro Feminista de Estudos e Assessoria/CFEMEA (DF)
CEPIA Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação, Ação (RJ)
Coletivo Feminino Plural (RS)
Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde/CFSS (SP)
Coletivo Leila Diniz - Ações de Cidadania e Estudos Feministas (RN)
Coletivo de Pesquisas sobre Mulher da Fundação Carlos Chagas (SP)
Comissão de Cidadania e Reprodução/CCR (SP)
Criola (RJ)
Cunhã Coletivo Feminista (PB)
Ecos Comunicação em Sexualidade (SP)
Fórum de Mulheres Cearenses (CE)
Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense (PA)
Fórum de Mulheres de Pernambuco (PA)
Fórum de Mulheres de Salvador (BA)
Grupo Curumim - Gestação e Parto (PE)
Grupo de Mulheres Negras Malunga (GO)
Grupo de Teatro Loucas de Pedra Lilás (PE)
Grupo Feminista Autônomo Oficina Mulher (GO)
Grupo Transas do Corpo (GO)
Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero/ANIS (DF)
Instituto Mulheres pela Atenção Integral à Saúde e aos Direitos Sexuais e Reprodutivos/IMAIS (BA)
Instituto Papai (PE)
Instituto Patrícia Galvão Comunicação e Mídia (SP)
Ipas - Brasil
Jovens Feministas de São Paulo (SP)
Maria Mulher Organização de Mulheres Negras (RS)
Mídia Radical (DF)
Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense/MMNEPA (PA)
Movimento do Graal no Brasil (MG)
Movimento Popular da Mulher/MPM
Mulheres em União Centro de Apoio e Defesa dos Direitos da Mulher (MG)
Mulheres Jovens Trocando Idéias (MG)
MUSA - Programa de Estudos em Gênero e Saúde (BA)
MUSA Mulher e Saúde (MG)
Núcleo de Juventude do CEMINA /REDEH (RJ)
Núcleo de Pesquisa em Gênero e Masculinidades / UFPE
Rede ARACÊ
Rede de Desenvolvimento Humano/REDEH (RJ)
Rede de Mulheres Negras (PR)
SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia (PE)
Themis Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero (RS)

Militantes Independentes:

Alcilene Cavalcante / SP
Ana Paula Portella / PE
Angela Maria Teixeira de Freitas / RJ
Carla Batista / BA
Carmen Campos / RS
Claudia Vasconcelos / PE e BA
Dulce Xavier / SP
Elinaide Carvalho / PB
Eleonora Menicucci / SP
Magaly Pazello / RJ
Rulian Emmerick / RJ
Sandra Valongueiro / PE
Silvia Dantas / PE
Lícia Peres/RS

Frente Nacional pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto

ARACÊ - Mobilização em Direitos Humanos, Feminismos e Transexualidade

CNDM – Conselho Nacional dos Direitos da Mulher

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

CARTA dos MOVIMENTOS de MULHERES para a I CONFERÊNCIA MUNDIAL sobre o DESENVOLVIMENTO de SISTEMAS UNIVERSAIS de SEGURIDADE SOCIAL

CARTA dos MOVIMENTOS de MULHERES para a  I CONFERÊNCIA MUNDIAL sobre o DESENVOLVIMENTO de SISTEMAS UNIVERSAIS de SEGURIDADE SOCIAL

Brasília, 02 de dezembro de 2010,

No Brasil, o direito universal à proteção social, tal qual estabelece a Constituição de 1988, conquista dos movimentos sociais brasileiros, não é uma realidade para todas e todos no País. Milhões de trabalhadoras e trabalhadores seguem sem direito à previdência social, sobretudo mulheres e população negra,indígena, portadoras de deficiências e demais segmentos da classe trabalhadora hoje nos postos mais precários e informais.

 O SUS é constantemente ameaçado por propostas privatistas e pelo déficit de orçamento. Os direitos previstos na política de assistência social também não são garantidos a todas aqueles(as) que dela necessitam e o SUAS ainda encontra obstáculos à sua efetivação. O orçamento da seguridade social é drenado ano a ano para gerar superávit primário o que reduz as possibilidades de ampliar direitos e cumprir com o caráter redistributivo da seguridade social no País.
Estamos às portas de um novo governo e é hora, novamente, de estarmos nas ruas denunciando esta situação e visibilizando nossas lutas e propostas em defesa de uma seguridade social pública, universal, solidária e redistributiva.  Não basta promover o desenvolvimento sem garantir a redistribuição da riqueza que é produzida por todos e todas nós: pescadoras, trabalhadoras informais em vários setores e atividades, no campo e na cidade trabalhadoras precarizadas, catadoras, ambulantes, extrativistas.

 Somos milhões de mulheres, a grande maioria de nós negra, em situação de desproteção social. A seguridade social é uma das principais políticas redistributivas e capazes de enfrentar o abismo da desigualdade e da injustiça social, de gênero e racial em nosso País.
Somos trabalhadoras informais das cidades, somos mulheres negras, trabalhando em condições precárias e insalubres, sem proteção social porque estamos à margem do sistema contributivo de previdência social: catadoras, ambulantes, feirantes.  Somos donas de casa, que realizamos o trabalho que sustenta o mundo e até hoje segue sem reconhecimento de seu valor e seus direitos; Somos trabalhadoras domésticas, vivendo relações de trabalho marcadas pela discriminação, a grande maioria sem acesso à previdência, e ainda hoje com 27 direitos a menos que as demais categorias de trabalhadores(as).

 Somos trabalhadoras do campo que produzimos a grande parcela dos produtos que alimentam nosso país, com nossos direitos constantemente ameaçados e muitas vezes não reconhecidos e sem acesso pleno à saúde. Somos mulheres feministas que lutamos contra a superexploração de nosso trabalho pelo capitalismo patriarcal e racista, por nosso autonomia econômica e pelo fim das desigualdades que fazem de nós mulheres aquelas que trabalham demais mas têm direitos de menos!

Neste contexto, os movimentos de mulheres articulados no Fórum Itinerante das Mulheres em Defesa da Seguridade Social – FIPSS, desde 2007 estão em permanente mobilização, por todo o Brasil, em defesa da proteção social ao trabalho das mulheres, da população negra e dos segmentos hoje inseridos nos setores mais precários do mundo do trabalho e totalmente submetidos à mais absoluta desproteção.

 Durante esta Conferência, nós mulheres do FIPSS estamos mobilizadas noAcampamento das Mulheres, representadas por diversos estados brasileiros e da região latinoamericana. Convocamos a sociedade, governos presentes, delegadas/os, movimentos sociais para que se somem à nossa luta pela necessidade de proteção social de nosso trabalho; pela defesa dos princípios de universalidade, solidariedade, equidade da seguridade social como um sistema capaz de redistribuir renda em nossos países, sem destituir direitos, enfrentando as desigualdades estruturantes de gênero, raça/etnia e classe. 


Fórum Itinerante das Mulheres em Defesa da Seguridade Social

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Carta de Santarém - Fórum Social Pan Amazonico

Aconteceu agora, de 26 a 29 de novembro, no Pará o Fórum Social Pan Amazônico. Infelizmente nós do Ceará não conseguimos nos organizar para estar presentes, mas diversas mulheres da AMB estavam lá, hospedadas em uma linda Casa Feminista, reunindo muitas mulheres negras, quilombolas, indígenas, lésbicas do campo, da cidade e principalmente da floresta para refletir, se encontrar e propor novos rumos para a nossa sociedade e nossas florestas.
Segue abaixo a linda carta final, produzida por todas e todos que estavam presentes:


Carta de Santarém - Fórum Social Pan Amazonico

Temos uma utopia: A construção de um continente sem fronteiras, a Aby- Ayala, terra de muitos povos, iguais em direitos e solidários entre si. Uma terra livre de toda opressão e exploração.
A vida em harmonia com a Natureza é condição fundamental para a existência de Aby-Ayala. A Terra não nos pertence. Pertencemos à ela. A Natureza é mãe, não tem preço e não pode ser mercantilizada.
Compreendemos que Aby-Ayala deva ser construída a partir de estados plurinacionais que substituam o velho estado centralizador, patriarcal e colonial, dando à luz a novas formas de governo, onde a democracia se exerça de baixo para cima, seguindo a máxima do mandar, obedecendo, onde exista um diálogo de saberes e culturas, onde cada povo seja livre para decidir como quer viver.
A participação plena e igualitária das mulheres é uma condição fundamental na construção das novas sociedades. Da mesma forma a proteção integral das crianças, como portadoras do futuro da Humanidade.
A Terra, nossa casa comum, se encontra ameaçada por uma hecatombe climática sem precedentes na história. O derretimento dos glaciares dos Andes, as secas e inundações na Amazônia são apenas os primeiros sinais de uma catástrofe provocada pelos milhões de toneladas de gases tóxicos lançadas na atmosfera e os danos causados à Natureza pelo grande capital, através da mineração descontrolada, a exploração petrolífera na selva e o agronegócio. Tal situação é agravada pelos mega-projetos, integrantes do IIRSA, como são a construção de hidrelétricas nos rios amazônicos e as grandes rodovias que destroem a vida de povos ancestrais, criando novos bolsões de miséria. Para deter este ciclo de morte é necessário defendermos nossos territórios exigindo o imediato reconhecimento e homologação das terras indígenas, titulação coletiva das terras quilombolas e comunidades tradicionais, bem como o pleno direito de consulta livre bem informada e consentimento prévio para projetos com impacto social e ambiental, preservando assim nossa terra, nosso modo de viver e a nossa cultura, defendendo a natureza e a vida.
Defendemos e construímos a aliança entre os povos da floresta, dos campos e das cidades. Fazem parte de nosso patrimônio comum a luta dos camponeses pela terra, os direitos dos pequenos agricultores a assistência técnica, credito barato e simplificado, e os justos reclamos por saúde, educação, transporte e habitação dignas para todos. Lutamos por uma sociedade sem exclusões, com liberdade, justiça e soberania popular. Combatemos no dia-a-dia todas as formas de exploração e discriminação baseadas em gênero, etnia, identidade sexual e classe social. Particularmente nos esforçaremos para superar a invisibilidade da população afrodescendente nas suas lutas e propostas sobre poder, autonomia e território.
A Amazônia Sul-americana possui problemas urbanos extremamente graves, nesse sentido é fundamental lutar pela construção de cidades justas, democráticas e sustentáveis, adequadas as diferentes realidades desta região, contemplando a diversidade dos atores sociais que vivem nessas cidades.
Na Pan-Amazônia, como em toda a América Latina, enfrentamos o militarismo que atua como mediador entre o colonialismo e o imperialismo. Condenamos a utilização das forças militares, corpos policiais, paramilitares e milícias como agentes repressivos das lutas dos povos, bem como os intentos de se utilizar a Justiça para criminalizar os movimentos sociais, a pobreza e os povos indígenas. Denunciamos a presença de tropas norte-americanas na Colômbia e a reativação da IV Frota estadunidense como ameaças à paz no continente. Repudiamos o colonialismo francês na Guiana e apoiamos os esforços de seus povos para alcançarem a independência. Nos manifestamos contra o golpe militar em Honduras e a ocupação militar do Haiti. Da mesma forma protestamos contra as barreiras que procuram impedir a livre circulação dos povos entre nossos países, defendemos o direito dos migrantes de terem uma vida plena e digna no país que escolherem para morar.
Lutamos por construir países apoiados em economias que mantenham a soberania e a segurança alimentar, que desenvolvam alternativas aos modelos predatórios e extrativistas e que tenham na economia solidária e na agroecologia, pilares na edificação do bem estar social. Para nós os saberes ancestrais são fontes de aprendizagem e ensinamento em igualdade de condições com o chamado conhecimento científico; a democratização dos meios de comunicação uma necessidade inadiável; a liberdade de expressão e a apropriação das novas tecnologias um direito de todos; bem como uma educação que estimule o diálogo, os contatos sem barreiras, os dons e talentos individuais e coletivos que dissemine valores humanos, abrindo caminho para a transformação íntima e social.
Reafirmamos nossa identidade amazônida através de nossas múltiplas faces, honrando a tradição e construindo o novo. Fazem parte desta identidade as línguas originais dos nossos povos e seus conhecimentos tradicionais.
Estes são os nossos compromissos. Devemos transformá-los em ação.
LINHAS DE AÇÃO:
- Lutar pela produção de outras formas de energia em pequena escala, fortalecendo a autonomia e a autogestão da Amazônia e de suas comunidades;
- Realizar campanha pelo reconhecimento, demarcação e homologação das terras indígenas, titulação coletiva das terras quilombolas e de comunidades tradicionais;
- Lutar pela titulação de terras aos trabalhadores do campo e da cidade;
- Realizar campanhas pela aprovação de leis regulamentando a consulta prévia livre bem informada e consentimento prévio para projetos com impacto social e ambiental nos países Pan-Amazônicos;
- Organizar fóruns regionais para troca de conhecimentos e implementação de ações, com organizações de outras regiões, em cada local onde a Mãe Terra esteja sendo agredida, ou ameaçada;
- Participar das redes que investigam a ação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Brasil), contribuindo para obstruir os financiamentos a projetos que destroem o meio ambiente;
- Promover ações articuladas de denuncia e pressão contra projetos de caráter sub-imperialista do governo brasileiro na Pan-Amazônia;
- Unificar as lutas contra a construção de represas hidrelétrica nos rios da Amazônica, em especial as lutas contra Belo Monte, Inambary, Paitzpatango, Tapajós, Teles Pires, Jirau, Santo Antonio e Cachuela Esperanza;
- Realizar encontros e marchas denunciando as diversas formas de opressão, como o machismo, racismo e homofobia, e apresentando as soluções propostas pelas organizações e movimentos sociais;
- Pensar formas de avançar nos processos de debate e avaliação coletiva, incluindo a elaboração de materiais que possam auxiliar nestes momentos;
- Avançar na elaboração de propostas para garantir vida digna a todos os povos da Pan-Amazônia, considerando suas diferenças intra e inter-regionais;
- Mobilizar as sociedades civis Pan-Amazônicas, contra as falsas soluções de mercado para o clima, como o REDD;
- Desenvolver lutas contra o patenteamento do conhecimento das populações tradicionais, que apenas promovem os interesses das grandes corporações transnacionais;
- Mobilizar as organizações contra as estratégias dos governos e das grandes empresas, voltadas à flexibilização da legislação ambiental na Pan-amazônia;
- Lutar pelo reconhecimento legal de “territórios livres da mineração” e de outros empreendimentos, nos ordenamentos jurídicos dos países da Pan-Amazônia;
- Articular a criação do “Dia da Pan-Amazônia”, onde todas as organizações realizem manifestações e discussões conjuntas, chamando a atenção mundial para os problemas ambientais, sociais, econômicos, culturais e políticos que ocorrem nesta região;
- Constituir um centro de comunicação do FSPA, de maneira compartilhada, com a função de interligar os movimentos sociais da Pan-Amazônia, socializar debates e iniciativas de ação;
- Divulgar as ações, discussões e resultados do FSPA nas comunidades, através de uma rede de comunicação;
- Construir uma presença marcante da Pan-Amazônia na reunião do FSM em Dakar, no Senegal, em fevereiro de 2011;
- Inserir o FSPA em redes e articulações que tenham causas comuns;
- Realizar o FSPA de dois em dois anos, em países diferentes, com candidaturas antecipadas que deverão ser aprovadas pelas instancias do FSPA.
Santarém, 29 de novembro de 2010